"O Mundo é Minha Paróquia" (John Wesley)
VIVA REFORMA PROTESTANTE.
31/10/2012 13:35Biografia de Martinho Lutero
A contribuição de Lutero à reforma Protestante constitui a base para todo desenvolvimento da Teologia Evangélica Luterana. Além disso, seus escritos, em grau maior ou menor, serviram diretamente de fonte de inspiração para o pensamento teológico e para pregação da Palavra em todas as épocas subseqüentes à era da reforma. Como conseqüência, os escritos de Lutero passaram a ocupar um lugar central na história da Teologia.
Depois dos estudos preliminares em Megdeburgo e Eisenach, Martinho Lutero ingressou em 1501 na universidade de Erfurt, onde estudou na Faculdade de Artes e concluiu com sucesso seus exames de mestrado a 7 de janeiro de 1505. Ali aprendeu filosofia aristotélica segundo a via moderna, o que vale dizer, na tradição nominalista. Representantes dessa Escola, que então denominava várias universidades alemães, opunham-se ao tomismo e reivindicavam entender e interpretar a filosofia de Aristóteles de modo mais correto. Posteriormente isso se refletiria, por vezes, na polêmica de Lutero. Era conhecido entre seus colegas como dialéto sutil.
Depois de obter o grau de Mestre em Artes, Lutero começou a estudar Direito e lecionar, ao mesmo tempo, na faculdade de Artes. Mais a essa altura ocorreu a crise no verão de 1505 o levou a decidir tornar-se monge. Lutero entrou no Mosteiro dos agostinianos eremitas em Eufurt. Depois de dois anos foi ordenado sacerdote, estudou Teologia de acordo com o programa de estudos do mosteiro. Durante esse tempo familiarizou-se com a posição dogmática dos ocamistas. O Collectorium de Biel e os comentários sobre as sentenças de Pedro d’Ailly e de Occam estavam incluídos entre as obras que estudou. Em 1509, depois de lecionar por um ano em Witenberga sobre a ética de Aristóteles, Lutero tornou-se sententiarius, grau que lhe conferia o direito de fazer preleções sobre as sentenças de Pedro Lombardo.
Em 1510 Lutero foi enviado a Roma para tratar de questões referentes a uma disputa dentro da ordem agostiniana, e ele, como muitos outros que peregrinaram a Roma na época, desiludiu-se com a degenerescência ali encontrada. Depois de seu retorno à Alemanha, Lutero viu-se forçado a abandonar Erfurt e ir a Witenberga, onde o Eleitor Frederico, o Sábio, organizara uma pequena universidade em 1512 e onde o vigário-geral da ordem de Lutero, Joham Von Staupitz, residia.
De 1513 a 1517 Lutero continuou a trabalhar no anonimato, ensinando, pregando e debatendo. Durante esses anos fez preleções sobre os Salmos (1513-15), Gálatas (1516-17), e Hebreus (1517-18). Algumas destas preleções foram preservadas, parcialmente, em apontamentos tomados pelos alunos e em parte, nas próprias notas de Lutero.
Estes primeiros escritos preparam o caminho para o aparecimento posterior de Lutero num palco muito maior e contribuíram para o ponto de vista amadurecido da Reforma.
Lutero apoiou-se muito em Agostinho. Em seus primeiros anos, como regra geral, identificava sua posicão como a de Agostinho. Foi o ensinamento agostiniano de pecado e graça que Lutero desejava manter em oposicão a doutrina da escolastica sobre a justificacão. Isso também foi decisivo no que tange a relacão entre Lutero e o ocamismo.
Muitos dos conceitos derivados da tradicão nominalista imprimiram sua marca de modo permanente no pensamento de Lutero. Pode-se, por exemplo,apontar a distincão entre teologia e ciência, a critica da doutrina do habitus, ou a idéia do poder absoluto e bem-organizado de Deus (potentia Dei absoluta et ordinata). Nos pontos essenciais, no entanto, pode-se perceber quanto inteiramente Lutero rompeu com a teologia ocamista. Seus escritos polemicos cedo e com frequencia foram dirigidos contra esta posicão. O pelagianismo do ocamismo na doutrina da graca, a fusão de teologia e filosofia foram atacados severamente num debate contra a escolastica em 1517. Lutero sustentou que era despropisitado afirmar que homem pode com suas forças naturais amar a Deus sobre todas as coisas, preparando-se desta maneira para receber a graça. Ao invés disso, é carcterística do homem natural o amar-se a si mesmo e ao mundo, e opor-se a Deus. A graça precede a boa vontade, e para que alguém possa fazer o bem é preciso que se torne bom é preciso que se torne bom primeiro. Os ocamistas falavam da logica da fé, aplicavel mesmo em questões que incluem os mistérios da fé, mas assim fazendo precisavam trazer proposições teologicas ao tribunal da razão e misturar teologia com filosofia. Dissera-se durante a Idade Média que niguém podia ser teólogo sem a ajuda de Aristóteles. Mas Lutero disse que ninguem podia ser teólogo a não ser que rejeitasse a ajuda de aristóteles.
As primeiras manifestações de lutero alcançaram repercussão diminuta. Mas quando afixou suas Noventa e Cinco Teses a 31 de outubro de 1517, iniciando assim o conflito contra o florescente abuso do sistema das indulgências, provocou a tempestade que em pouco tempo o conduziu a um completo rompimento com a igreja de Roma e sua teologia. Seguiu-se uma guerra de panfletos, envolvendo, entre outros, silvestre Priérias e Lutero, e, em 1518, cúria romana, agindo por intermédio do Cardeal Cajetano, tentou de maneira improfícua obrigar Lutero a retratar-se (em Agsburgo). O debate sumamente polêmico entre o teólogo romano João Eck e Lutero, realizado em Leipzig em 1519, não resultou em grande vitoria para nenhum dos dois lados.
O momento decisivo na vida de Lutero foi a descoberta que a justiça de Deus, como descrita na Carta aos Romanos não era uma justiça que julga e faz exigências, mas a justiça dada por Deus em graça. Alguns dos escritos mais significativos de Lutero foram publicados nos anos 1519 e 1520. Como exemplo de sua extraordinária produtividade durante esses anos pode-se destacar o fato que na segunda metade de 1519 Lutero publicou nada menos que 16 livros. A réplica de 80 páginas ( 40, na edição de Weimar), dirigida contra Silvestre Priérias foi escrita em dois dias . Entre outros escritos publicados nestes anos encontram-se: Preleções sobre Gálatas (1519), tratada sobre boas Obras, e sobre a liberdade do Cristão da Nação Alemã, como sugestões para reformas na educação e na igreja, e tambem o contravertido panfleto: Sobre o cativeiro Babilônico da Igreja, no qual Lutero deixa ver claramente que rompeu com o conceito romano dos sacramentos, bem como o siatema monarcal. Assim fazendo atacou também alguns dos fundamentos mais importantes da cultura medieval.
A bula da excumunhão foi elaborada aos poucos em Roma. Nela Lutero era acusado de heresia em 41 pontos. No entanto, esses pontos não atingiam os aspectos principais de sua teologia, pois eram, em sua maioria, de natureza insignificante. A bula prescrevia que os escritos de Lutero fossem queimados, e queima de livros foram organizadas em vários lugares, mas não obtiveram grande repercussão. Lutero retrucou permitindo a realização de um auto-de-fé fora de Wintenberga a 10 de dezembro de 1520, no qual a lei canônica e outros livros romanistas foram queimados. Também atirou a bula papal no fogo nessa ocasião, ação que parece ter passado desapercebida pela maioria nequela época. Maior importância tinha o fato de Lutero repudiar a lei canônica, simbolizado pela incineração da mesma.
Depois de demoradas negociações, o eleitor Frederico da saxônia finalmente conseguiu trazer a questão de lutero perante o Reichistag (Dieta), que se reuniu em Worms em abril de 1521, com a presença do Imperador Carlos V. De pé diante da Dieta reunida, Lutero foi intimado a retratar-se. Sua famosa resposta, apresentada após um dia de deliberação, fez ver claramente que não poderia retratar-se a não ser que fosse convencido pela escritura ou por raciocínio claro. As discurssões subsequentes entre Lutero e os principais teólogos católicos presentes em Worms só serviram para demostrar mais claramente ainda, que lutero era impossível aceitar a Igreja de Romana e sua Teologia.
No dia 31 de Outubro de 1517, Martinho Lutero fixou as suas 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, Alemanha. Tinha início o grande movimento chamado de A Reforma Protestante. Lutero protestava contra a venda de indulgências pela Igreja Católica. Era a venda da salvação que trazia muito ouro aos cofres da igreja. Usavam inclusive uma frase de marketing que dizia mais ou menos o seguinte: “Quando as suas moedas tilintarem nos cofres da igreja, a sua alma terá saído do purgatório para o céu”. Esse dinheiro era usado para a construção da Basílica de São Pedro em Roma.
As 95 Teses de Lutero questionavam diversas doutrinas católicas e colocavam em cheque todo o poderio do catolicismo.
A contribuição de Lutero à Reforma Protestante constitui a base para todo desenvolvimento da teologia evangélica. Os princípios fundamentais da Reforma são conhecidos como os “Cinco Solas”:
1 - SOMENTE A BÍBLIA - Quando foi pedido que Lutero se retratasse, ele disse: “A menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras ou pelo mais claro raciocínio; a menos que eu seja persuadido por meio das passagens que citei; a menos que assim submetam minha consciência pela Palavra de Deus, não posso retratar-me e não me retratarei, pois é perigoso a um cristão falar contra a consciência. Aqui permaneço, não posso fazer outra coisa; Deus me ajude. Amém”. a Escritura inerrante como fonte única de revelação divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado. Interpretação da Escritura – para Lutero, a teologia é a Palavra (Romanos 10:17). A autoridade da Escritura era fortemente enfatizada. Jesus Cristo é o centro da Bíblia – A Escritura deve ser entendida a favor de Cristo.
2 - SOMENTE CRISTO “ Não há salvação em nenhum outro , pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (At 4.12). “ Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim ” (Jo 14.6). “ Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus” (1 Tm 2.5). salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai.
3 - SOMENTE A GRAÇA “ Somos como o impuro – todos nós ! Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo. Murchamos como folhas, e como o vento as nossas iniqüidades nos levam para longe” (Is 64.6). “ Pois vocês são salvos pela graça , por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras , para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9). a salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual.
4 - SOMENTE A FÉ “ O justo viverá pela fé” (Rm 1.17). “ Tendo sido, pois, justificados pela fé , temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1). “ Sem fé é impossível agradar a Deus , pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam” (Hb 11.6). Lutero em sua descrição, citava o exemplo de Abraão em Romanos 4: “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça.” a justificação é somente pela graça somente por intermédio da fé somente por causa de Cristo. Na justificação a retidão de Cristo nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus.
5 - SOMENTE A GLÓRIA DE DEUS “ Eu sou o SENHOR; este é o meu nome! Não darei a outro a minha glória nem a imagens o meu louvor” (Is 42.8). “ Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus ” (1 Co 10.31). a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente.
CONCLUSÃO: Jesus disse: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8:32). Um ponto alto da Reforma Protestante foi a defesa do “Sacerdócio do Crente” (I Pedro 2:9), a causa teológica da Reforma foi o desejo dos Reformadores de voltar à fonte da fé cristã, a Bíblia. Como observa C. S. Lewis, "a redescoberta da Bíblia envolvia necessariamente a redescoberta da pregação".
Consequentemente, "a Reforma ocasionou o renascimento da pregação"
Na teologia reformada, a pregação é considerada o principal meio de graça, a tarefa primordial da igreja e do pregador, o principal elemento do culto publico, marca essencial da verdadeira igreja e meio pelo qual o reino de Deus é aberto ou fechado aos pecadores.
Em virtude dessa elevada concepção quanto à sua natureza, a teologia reformada atribui grande importância à pregação.
A teologia que surge da reforma resgata parâmetros bíblicos defendidos e reconhecidos em muitos textos bíblicos que reforçam a necessidade da reforma protestante na igreja que clamava por uma concepção fiel à Palavra de Deus. Teologicamente a reforma contribui relevantemente para a formação de uma nova igreja fiel aos princípios bíblicos que busca integridade na forma de viver o caráter Cristão.
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